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segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Vazio

No vazio consiste uma imensidão de coisas...
A casa vazia está, mas completamente cheia de lembranças e sombras de tudo o que vivemos.

Nunca vamos conseguir esvaziar plenamente esses 17 anos vividos ou mal vividos.

Tem gritos, gemidos, dor, alegria, angústia e tantos sentimentos entrelaçados e misturados nessa ausência total e absoluta!

Em toda parte, em todos os cantos, existem momentos, músicas, sons que ensurdecem ainda que mudos...

Cheiro de perfume derramado, frasco quebrado que evapora lentamente, invadindo todos os cômodos dessa casa que cabe dentro de nós, no corpo, no coração.

Palavras, tantas vezes ditas, repetidas até a exaustão... que nunca produziram ação!

Vozes, sim elas também existem ali, sons que não ultrapassaram a barreira de todo esse tempo que escorre e se esvai. Som que não quebrou o silêncio frio e estridente do grito de súplica. Ninguém ouviu... ninguém socorreu o grito silencioso!

Há tanto preenchimento nesse vazio lotado de emoções!

Jacinta Duarte em 06/12/10
"O falso amigo e a sombra só nos acompanham quando o sol brilha."

 
 
"Saudade é uma coisa que não tem medida, é um vazio que a gente só pode preencher com a lembrança."
(Irene de Albuquerque)

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

A tristeza foi tanta que eu aprendi a dançar. (Roberto Pereira)
Quatro rodas te prendem ao chão... duas te fazem voar!!
By Karina Évelyn


Será que estamos sujeitados à insensibilidade dos seres insensíveis a estímulos externos, com um funcionamento que mais parece com os das máquinas? E, mais ainda, desejando o conteúdo que apenas aparentamos ser? Por que fazemos tanta questão de nos vestirmos impecavelmente, ao mesmo tempo em que nossa alma se sente nua, ou não sabendo o que vestir?

Felipe Foresto -  psicólogo.

Ainda há tempo

Ainda há tempo

Para dançar, dar um telefonema, contemplar o pôr-do-sol

A vida segue seu curso, cada dia traz suas novidades e o tempo não para. Constantemente nos pegamos pensando nas coisas que deveríamos ter feito e chegamos à constatação de nos que faltou tempo! Será que isso é normal? Ou será que estamos inventando coisas de mais para fazer, preenchendo tanto o tempo que nos falta espaço para viver?

Dizem os grandes sábios que o segredo para uma vida feliz é viver bem cada coisa a seu tempo. Mas em dias como os que vivemos, nos quais tudo é imediato e as oportunidades de escolha são sempre vastas, é tarefa um tanto difícil discernir o que fazer a cada instante.

Eu, particularmente, gosto de planejar o meu dia de acordo com o que preciso fazer, seja no trabalho, seja em casa ou até mesmo no lazer. Mas o fato é que agindo assim, também corro o risco de controlar meu tempo nos deveres e aprisionar minha liberdade de ser livre e viver naturalmente.

Basta alguma coisa sair fora dos planos que me vejo bastante contrariada. É como se eu me atropelasse nos meus passos e o tempo fugisse de minhas mãos em segundos. Não é fácil lidar com o tempo e a velocidade da vida, aliás, é sabedoria que requer aprendizado, arte e disposição. Eu quero aprender. E você?

Podemos viver sem pensar sobre coisas assim, mas considero importante refletir na vida que estamos levando... Hoje, parei para fazer isso me perguntando: "Será que a vida está indo de modo muito rápido ou sou eu quem está meio lenta?" Talvez eu precise acertar o passo. Sou mais do que aquilo que eu faço; o ser e o fazer são realidades distintas que precisam de harmonia.

Já ouvi alguém dizer: "Sua cabeça até pode ser uma máquina, mas seu coração não!" Talvez esteja aí a razão dos descompassos do momento. É que o coração não combina com a pressa, ele tem seus mistérios, exige calma e arte para lidar com ele. É sensível, e o sentimento não combina com imediatismos. Para conquistar um bom emprego, a competência é conjugada com a agilidade, mas para conquistar um coração não é assim... Acredito que seja essa a razão do vazio que facilmente contemplamos nas pessoas que valorizam somente o poder. Quando nos interessamos de mais por "aquilo que queremos", falta-nos tempo para nos interessarmos por "aqueles que queremos". E aí o resultado quase inevitável são os atropelos e o vazio no fim da história. A opção é única: se quisermos conciliar os interesses de nossa vida, precisaremos ser vigilantes para que não nos enganemos nas escolhas e corajosos para recomeçar sempre que for preciso. E jamais abrirmos mão do essencial. O que é essencial para a sua felicidade?

Considero importante que identifiquemos as razões para vivermos alegres. Não para vivermos inebriados, esquecendo-nos do mal que possa estar no mundo, mas para poder dar um impulso à nossa vida, que tem, com certeza, nos oferecido coisas boas, as quais a velocidade não nos deixa contemplar. O sorriso, o choro, a simplicidade das crianças e os momentos de reflexão são boas formas de podermos valorizar a vida e apreciar o que de bom vai passando por nós. Não percamos mais tempo a correr sem destino certo. Andemos com mais calma, apreciemos mais a paisagem e quando chegarmos ao ponto determinado, veremos que a alegria da vida não está na chegada, ela foi distribuída durante o caminho. Se formos muito depressa, nos faltará tempo para recolhê-la.

A boa notícia que lhe apresento hoje é que ainda há tempo... Há tempo para mostrar quem somos sem temer a reação dos outros. Há tempo para cantar, dançar e brincar com as crianças.

Há tempo ainda para um bilhete no café da manhã, um telefonema inesperado durante o dia só para dizer: "Te amo".

Há tempo para despertar o que talvez tenha ficado quieto por anos a fio. Para contemplar o pôr-do-sol, para molhar os pés na água do mar, caminhar descalço na areia da praia sem ter hora marcada para chegar. Há tempo para ser feliz e hoje é o tempo!
Foto Dijanira Silva
dijanira@geracaophn.com
Dijanira Silva Missionária da Comunidade Canção Nova, em Fátima, Portugal. Trabalha na Rádio CN FM 103.7